Mas tinha que respirar, mas tinha que respirar... todo dia"
Arnaldo Antunes
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
só uma nota sobre coisas do coração
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
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E ele andava sério pelas ruas de Buenos Aires. Umedecidas pela chuva, aquelas ruas conferiam àquela noite um ar mágico, com ares de amor eterno desses que se fazem amar mais a cada segundo.
O outro estava além da fronteira. Seu telefone era então uma arma mortal; um pouco mais que ficasse mudo era capaz de extraí-lo da realidade. Pousou a cabeça no travesseiro e deixou a mente devanear acerca de dados metereológicos, pois, vira ainda a pouco que chovia lá, além do Rio da Prata, e preferiu umaginar que o telefone se encontrava em coma por conta da chuva, “deve estar ruim de andar” pensava, “a chuva deve estar atrapalhando. Podem estar até sem luz por aquelas bandas”. Imaginava as mil coisas que podia ser: um raio, granizo, neve (neva lá?), trânsito caótico e bagunça nas ruas causada pela destruição que a chuva houvera desencadeado.
Ninguém devia advertí-lo disso… jamais, mas naquela noite na cidade do tango apenas chuviscava, com pancadas de chuva entre um chuvisco e outro, o que não impossibilitaria alguém de caminhar. Mas ele, ali em seu travesseiro, continuava seus devaneios… e o outro lá longe, caminhava pelas ruas a procura de um telefone! Tentara já alguns, tentara vários cartões e nada funcionava. Além de ter saído do conforto de sua hospedagem em meio ao aguaceiro, ainda correu muito pelas ruas em busca de um lugar aberto, em busca de uma pequena possibilidade de tentar falar com seu homem. A visão era apaixonante! Ele podia visualizar as gotas d`água escorrendo por aquele rosto másculo e belo de seu amado, gotas de desespero, gotas de amor! Gotas incômodas mas que foram aceitas em seu corpo em prol de um amor que deve ser lembrado, de uma voz que deve ser ouvida e uma saudade que deve ser sanada. A visão dele na chuva era realmente apaixonante! Apaixonante como outras cenas que se idealiza quando se ama, como alguém andando descalço para lhe ceder seus calçados, como alguém capaz de te esperar horas em algum lugar para te receber, te gostar sem botar defeito em nada, gostar das mesmas coisas, rir juntos, perceber a pessoa amando te olhar enquanto você se banha, essas coisas e outras mais.
E ele ia, úmido, chegando até uma cabine. Teclou um número extenso, internacional… e o telefone tocou! Quebrou o sonho sonhado do saudoso rapaz que ansiava pela ligação, para dar origem ao sonho real. Se tentasse lembrar, aquele rapaz sonhador não saberia nem como atendeu, a ansiedade era tanta que seu braço foi levado a atender o telefone por um impulso nervoso totalmente instintivo. Do outro lado uma voz não esperada, um qualquer, uma qualquer, não interessava - outrora até uma voz bem-vinda, agora uma sombra qualquer, não a de seu amado… dor.
Quase não ouviu sequer uma palavra que fora dita ao telefone tal era sua decepção, colocou o telefone no gancho e parou de idealizar naquele instante. Parou de sonhar com seu amado na rua, na chuva, só pra dar um telefonema (imagina só que bobagem!)… se sentiu um idiota agora. Voltando à realidade, era ridículo imaginar que essas coisas acontecem de verdade, que esse tipo de amor e de atitudes saem do campo das idéias: um amor mais que esperado, mais que sonhado, que mereceria todo o resto de uma existência (ou talvez mais, se houver) para ser vivido em sua completude, um amor idílico desses, etéreo, perfeito e incondicional.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Este post é de cunho extremamente pessoal!
Análise
Ultimamente tenho observado com muita curiosidade esta obra intitulada Upside Down (de ponta cabeça) do grande artista espanhol Joan Miró, nascido no fim do século XIX. E gostaria de aqui explanar um cadim sobre as relações desta obra em minha vida!
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1º) textura de papiro:
Descrição: comecemos pela base! Rústica, repleta de nuances e (belas) texturas. Cores aconchegantes e confortáveis. Estáveis ao passo que imprevisíveis e assimétricas.
A relação: desejo de conforto, estabilidade. A busca pelo aconchego, um lugar que possa chamar de meu. No entanto o desafio; sempre o desafio, sempre a busca pelo novo.
2º) as cores:
Descrição: para um olhar leigo, cores infantis! Primárias com excessão do preto e do verde. Mas basta um olhar um pouco mais profundo para entender que o simples azul, é na verdade azul cobalto. O vermelho é coral. O verde é musgo e o amarelo pastel. Cores que não são fáceis de serem produzidas e tampouco combinadas sem que nada pese demais ou fique de fora da homogenia proposta – Miró o fez com maestria!
Obs.: notem que os lados esquerdos do que seria o peito de cada figura tem maior incidência de vermelho.
A relação: o desejo do não óbvio! Mas atenção, do não óbvio se encarado a fundo, não num primeiro olhar, neste, só o que deve ser ostentado é a sutileza da existência, algo simples, mas que quando visto a fundo torna-se algo deglutível, instigante e mergulhável. O preto são lacunas e mistérios… coisas a serem desvendadas – ou não! A simples existência do mistério torna tudo muito mais real!
3º) as formas abstratas:
Descrição: obra rica em curvas, retas e ângulos, linhas soltas e formas isoladas.
A relação: fluência, serenidade, caminhos diversos, idas e voltas e idas, idas sem volta, tribulações, paixões, fogo, calma! Caminhos soltos percorridos por diversos universos ardentes, calmos, misteriosos, infantis e orgânicos. Extremismos, objetividade, ação, altruísmo, teimosismo e muita força.
4º) as formas concretas:
Descrição: segundo minha ótima, se analisarmos concretamente temos aí alguns elementos. No entanto, estas mesmas imagens podem ser milhões de outras, logo, prefiro converger as questões e relações a seguir num mesmo ponto de vista. As imagens são:
- duas pessoas
- um sol
- uma estrela
- um gato
- uma criança
A relação: de início, uma imagem de família. Juntos, num ambiente favorável, de temperatura favorável, fazendo companhia e tornando-se auto suficientes. Mas, sob outra ótica, estão invertidos, denota conflito, em contraponto são praticamente um; amor. Olham para direções diferentes; não compartilham as mesmas formas nem os mesmos objetivos, embora compartilhem as mesmas cores
Convergendo: ponho agora esses dois numa cama - no criado mudo ao lado, o telefone está no gancho e eles já não parecem dois opostos, parecem até mesmo se divertirem com o fato das direções opostas não afetarem em nada. O que poderia ser os braços do ser de ponta cabeça poderia representar agora chifres e trago o Diabo do tarô em questão: sexo, libido, hormônios, paixão, ambição, riscos – olhar direto em direção ao espectador; sem meias palavras. O outro olha na direção do sol, voltado para o lado superior esquerdo da tela – lúdico; emocional latente, sonhos, desejos, magia, coração, alma! Dois seres em absoluto vínculo! Um é diferente do outro, mas carregam as mesmas cores unidos pelo amarelo - única cor única da obra que se encontra no meio dos dois fechando um elo, uma união conquistada por eles. A imagem parece estar em movimento, sem lugares para manter em estoque o passado.
Tudo isso pode ter uma outra ótica se analisado de ponta cabeça como manda o “manual”. Mas em qualquer uma das direções, o que interessa é o fato de que a cor vermelha sempre estará lá; predominante do lado esquerdo dos peitos.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Quem poderá?
Quem poderá julgar o que se sente?
O que os olhos não podem ver...
...pois as nuvens cobrem um céu limpido.
Que um amigo deixei
Que amores conquistei
E nada foi suficiente
para o sol poder ver.
Quem poderá julgar o que se mente?
Dizemos palavras nobres
para um bom desempenho...
...que não nos deixa sair de dentro...
...da alma...
...de um cirandeiro e de um amor infantil
cumplice das brincadeiras de roda
e vivendo constantemente
numa inocência febril.
(Anjo Negro)
Queria saber quem escreveu isso! Tão lindo!
Lembram desse blog gente?
http://avessodopoeta.blogspot.com/
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
o estojo
Um dia acabei me surpreendendo! Sei-lá por que cargas d'água fui ver o estojo e ele era do Instituto Criar de TV e Cinema. Muito ligado nessas coisas de "sinais" como sou, acreditei pela primeira vez que seria realmente possível e jurei pra mim q só usaria esse estojo quando estudasse cinema. Mas... a porra da tal da Roda Viva dá voltas e voltas e voltas e acabei usando o estojo para outras cousas, pois se fosse esperar até fazer cinema só usaria os fósseis do mesmo.
O tempo passou, e hoje, na aula, um cara que sentou do meu lado me surpreendeu elogiando meu estojo (o próprio), só daí me dei conta de que os tais "sinais" aconteceram... e lá estava eu, na aula de Direção, com meu estojo.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
menino






Pára de escrever tanto, pára de ser arisco! Mania de querer texto pronto quando a vida é rascunho, rabisco. Decisões, opções, acões, credos e egos que contrapõem o respeito mútuo a paixão oculta, silêncio ardente, água fervente, gente quente, semente, dente, saliva e mel!
Esquece o dia menino, que logo mais vem a noite. Esquece a noite que logo mais meu açoite o fará dormir tranquilo e deita agora no meu peito! Suor, pêlo, perfume, teu cheiro, teu leito.
Entendo tuas linhas retas sob a caligrafia inexata, conheço todas as regras dessa brincadeira chata e finjo que não vejo, finjo que não vejo teu suor de desejo, tuas mãos trêmulas e finjo que não percebo o silêncio dizer o que a voz não fala mais. O impulso violado, o receio de estar ao lado e a ausência de paz.
E declaro guerra! Guerra aos teus papéis e à tua escrita cheia de regra. Escreve na tua linha reta que não se mexe com a cobra se ela está quieta e não quer ser ferido, e vem rodar comigo. Esquece tudo, mergulha fundo no meu oceano que nada tem de plano como teu caderno inibido. Ou fica longe com a tua métrica menino. Fica longe pois longe, a sensação é só uma réplica do que verdadeiramente é estar ao teu lado. A essa distância, nada resta da minha ânsia senão um suspiro e compreendo a tua métrica, a tua rima e as tuas palavras tão frias não me machucam sem tua pele perto da minha.
Mas não chega perto menino com tua cantiga de amor que faço ela virar de escárnio. Por tudo que há entre o bem e o mal transformo-me em teu rival e não paro de amá-lo até estarmos completamente apaixonados! Até destruirmos paredes, romper tratados e o que fora antes planejado, até sentirmos a coragem do tal último dia de vida e sem tomar nenhuma medida mudar nosso destino torto e bebo do teu corpo pra provar como te quero. Entro em você como um animal sedento, sem roupa, encho tuas costas com o cheiro do meu peito e tua nuca com saliva da minha boca. Te inundo com meu leite-semente novamente e preencho teu amanhecer de beijos e carícias das quais tão delícias tua mente jamais se fará esquecer.
Se é este teu medo fica longe menino! Até que nossos atos não sejam mais as lanças que já tanto nos feriram.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Programa Café com Papo
sábado, 28 de fevereiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

sábado, 20 de dezembro de 2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
quinta-feira, 31 de julho de 2008
O ônibus que me levaria à cidade vizinha (Colônia) para pegar o barco certamente já estava na plataforma quando eu acordei no bairro vizinho.
Sonho – despertador – hora – susto – ducha – roupa – perfume – bolsa – documentos – dinheiro – porta – corredor – elevador – portaria – madrugada friiiiiiiiiiiia!!!
Adoro!
Fomos eu e meu cachecol para o ponto de ônibus. Perguntei educadamente – e pau-sa-da-men-te para uma senhora no ponto: hola, por favor, que bus puedo tomar para llegar a Três Cruces? Soy brasilleño y no conosco nada acá!!!
Pensei ter explicado o suficiente, mas dado o grupo de palavras incompreendíveis que vieram a seguir, concluí que ficaria na mão. No entanto, soube aí que eu poderia pegar o 121 e o 024, e descer antes antes do túnel. Pergunto-vos, por quê haveria um túnel numa cidade plana como aquela? Confiei! Eram 6h11, o ônibus sairia às 6h30, eu tinha um circular ainda pra pegar! Pra ajudar o circular andava a quarenta por hora no máximo, numa via vazia. Depois de quase me suicidar de ansiedade com meu próprio cachecol, o motorista me avisa que é lá!!! Corri, e cheguei às 6h27 na plataforma, às 6h29 ligou o motor, às 6h30 em ponto o ônibus saía!
Foi uma viagem bela de duas horas e quarenta minutos, o sol nasceu durante a mesma, naquele terreno plano do Uruguai, e do meu lado do ônibus (olha, vô te contá uma coisa pra você, às vezes acho que vou morrer logo, por que essa viagem foi tão cheia de poesia que parece que os deuses selecionaram tudo a dedo, amo vocês amigos – caso algo aconteça). Ao chegar ao cais, uma deliciosa solicitação em español na imigração: identidad – dei o passaporte: Brasilleño? Tarjeta de imigración (ela falou tão rápido que perguntei umas três ou doze vezes não me lembro ao certo). O caralho dessa tarjeta – cartão – é uma merda de um papel imbecil que a gente recebe na espelunca do avião, pra entrar na porra do país, agora pergunto a vocês, viados e putas leitores de dessa idiotice (rs), eu lá sabia que precisava carregar éixta porrrcaria pra sair do país?
Nunca, jamais soube disso!
Toco cagado, pedi clemência, o cara viu que era minha primeira vez fora e disse educadamente que eu tinha que pagar uma multa (que seria todo o meu dinheiro – pensei, murcho, quase desmaiado já), mas não tive de pagar nada. Entrei belo, louro e japonês para o barco.
Dei tchau a classe turística e fui para a 1a classe – falta de opção na verdade, se não fosse assim eu não viajaria, alem do mais a diferença era bem pouca. O que eram as poltronas da primeira classe??? São maiores que a minha cama quase! Um bom lugar pra fazer minha primeira travessia de barco país – país.
A ida de barco foi inebriante! É uma sensação muito diferente, não é como pegar esses barcos abertões. O Buquebus é um barco bem fechado, como um ônibus grande com lanchonete dentro. E além do mais, chegar no centro de uma cidade que você nunca viu, em outro país, pela água. Uma cidade bela como Buenos Aires, aaaaaaiiii que bons ares! E que belo material humano também - rs.
Minutos depois, lá estava eu perdido naquela cidade com um mapa na mão e tantas possibilidades. Cidade linda!!! Impecável. O antigo e o novo ligados, mas limpos - diferente do centro velho de sampa. Depois (me perdendo e tendo que pedir informações em espanhol) fui direto ao obelisco na 9 de Julio, uma avenida gigante, digamos que ele seja um... um obelisco!!! - rs. Não existe muito o que falar de templos históricos estando tão próximos do nosso país, tudo é mas ou menos da mesma época, mas o material humano... rs.
Ali mesmo, enquando fazia aquela coisa breguíssima de turista, tipo tirar vc mesmo uma foto sua com o monumento no fundo, conheci uma brasileira que ficou comigo o tempo todo lá. Vi o teatro Colón, o Palácio dos Tribunais, o túmulo da Evita, a Rua Alvear (meu Deus... pensa nos demônios do consumismo - quer dizer, não que Deus deva pensar nisso, foi só uma expressão - te atasanando para você afundar seu cartão na lama!!! Isso é a Alvear), nela você acha Chanel, ao lado de Gucci, ao lado de Vuitton ao lado de Laurent, ao lado de... aaah se eu pudesse, meu dinheiro desse, em meu armário coubesse... Outra coisa que me chamou a atenção lá pelas redondezas foi uma árvore que tem na praça em frente ao cemitério da Evita - rs. A árvore é tão grande que ocupa toda a área da praça, só que ela não tem força pra agüentar os próprios galhos (que são troncos na verdade)! Então colocaram paus apoiando os troncos da árvore para que não caiam.
Em seguida, como não podia deixar de ser, fomos a um café!!! Estranho como tomar um café numa esquina em Buenos Aires é tão... tomar um café numa esquina em Buenos Aires!!! A arquitetura, o clima, as pessoas. Acho que passamos umas duas hora e meia tomando café em dois cafés e fumando. Muita gente pedindo esmola tb, igual aqui! Tudo teria sido perfeito se ela não tivesse me convidado para ir a uma milonga na sexta. Assim como se nada fosse: "Vamos a uma milonga sexta? Você vai enfartar!" Nesta hora eu já estava enfartado, ela estava falando de me levar até alguma maravilhosa casa de tango que estava longe de ser algo para turistas. Onde jovens e velhos se encontram e dançam até o pé sangrar a madrugada toda ao som ao vivo tb!!! Por que ela fez isso? Visto que dali uns 50 minutos eu deveria pegar o metrô que me levaria de volta até o porto.
Nos despedimos, entre convites e promessas de novos encontros peguei o metrô (que custa lá 0,90 centavos - se fosse em reais seria tipo 1,30), que era mais uma sauna seca móvel do que um metrô. Da estação passei pela Casa Rosada, imponente, com sua praça a frente cheia de imagens e recordações de protestos. Uma energia carregada quase poética.
Peguei o barco gastei meus últimos pesos argentinos com refrigerante de pomêlo e empanadas. De volta a Montevidéu!
foto: Porto Madero - Buenos Aires



