"Debaixo d'água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido, só faltava respirar.
Mas tinha que respirar, mas tinha que respirar... todo dia"

Arnaldo Antunes

sexta-feira, 13 de junho de 2008


- Hoje cê não vai me perguntá?
- O que?
- Se eu te amo?
- Você me ama?
- Ama...?! Bom... qué dizê... cê não tem medo?
- De amá?!
- Isso não é natural. Pode vir um castigo de Deus...
- Deus?...
Toda vez que abandonei meu corpo na ponta aflita dos teus dedos
olhei pra Ele.
E Ele não tava tão carrancudo:
estava um pouco distraído,
como quem finge.
E toda vez que amoleci meu corpo pra tua ansiedade cega e rija
olhei pra Ele.
E Ele não tava tão severo:
estava um pouco atento,
como quem vê.
E toda vez que o centro do meu corpo foi inundado pelo teu prazer
olhei pra Ele.
E Ele não tava tão bravo:
estava tão sereno!
Como quem comunga.

(...)

- Ai se você me perguntasse...
Se só mais uma vez cê me perguntasse
se eu te amo...

- Não posso mais.
Tenho que ir atrás...
do vento.

(e alça vôo
na direção do sol poente)

Trechos de O Pássaro do Poente de Carlos Alberto Soffredini

domingo, 1 de junho de 2008

"Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui
Na primavera futura
.
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma!"

Zélia Duncan


terça-feira, 27 de maio de 2008



mágica...

mágica... mágica... mág...


... e se seguiram histórias de borboletas e margaridas, e a noite foi mágica.


.

O vinho adormecia os lábios, o fondue salgava a língua, e adoçava, e salgava. O cigarro... ah o cigarro... me entende quem se entrega a este prazer-fatal-prazer: um isqueiro falta, um gesto educado, uma pergunta, mundos novos, universos inteiramente novos ávidos para desbravar constelações e galáxias um do outro. Tantos desconhecidos numa noite jovem, tantas confidências, risos e particularidades numa madrugada outrora virgem. O instigante mundo europeu de um, a sonhada América Latina de outro, e a música clássica, e os protestos estudantis e os assuntos que a noite nos trazia à memória sem tempo a perder. E a música tocava, e era cantada e cantada. E a mágica... uma mágica ardendo tão fundo na alma, o motivo pelo qual existo.



Outra noite - outro vinho - outros cigarros - histórias de borboletas e novos caminhos - de margaridas e surpresas - de sinais.
.


Uma vez, houvera entre nós, ainda que poucos soubessem, ao sul, além das fronteiras, mãos doces e talentosas, mãos latinas e francesas. Mãos estas que não poupavam dedos e sonhos para acariciar a audição e o coração de uma doce menina, sua neta, mãos talentosas, moldadas em alabastro com um toque de sonhos e mais sonhos. Era de Chopin a música que as ligava num estreito fio de alma e pra alma, e foi Chopin que tocou no aniversário de sua última despedida. Uma mão sensível tocava o piano de cauda, as mãos daquele que cedeu o espaço tão carinhosamente e sem se dar conta da saudosa melodia que tocava.


.
Ela percebeu saudação da avó, nós nos emocionamos. Era qual uma benção, era uma espécie de mágica que rondava a profunda vista noturna do Ibirirapuera, eram histórias sensíveis, de sonhos, de mágica. Histórias pra poucos.


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Porque:

"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra".


terça-feira, 20 de maio de 2008


Antes de lerem
o que vem a seguir é importante que saibam; nada, nada que pudessem escrever cantar ou dançar, se fariam palavras minhas tão fiéis quanto estas, parecem sair de meus lábios numa força tão voráz que poderia ser ouvida até no mais fundo do mais profundo oceano:
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.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
.
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
.

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
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Não sei por onde vou,
.
.
Não sei para onde vou
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Sei que não vou por aí!


Cântico Negro - José Régio

Imagem do filme "Um Sonho de Liberdade"

sexta-feira, 16 de maio de 2008

PRONTO!!!
Hora de desacreditar e encerrar contratos, hora de rasgar cheques e desvencilhar-me de apertos de mão!
Hora de sair do sonho e me entregar a certas realidades.
Hora de me entregar a outro sonho.
Ponto final e incial, sempre e avante!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

"Não damos pé

Entre tanto tic-tac

Entre tanto Big Bang

Somos um grão de sal

No mar do céu...

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Calma!

Tudo está em calma

Deixe que o beijo dure

Deixe que o tempo cure

Deixe que a alma

Tenha a mesma idade

Que a idade

do céu"





Idade do Céu - Paulinho Moska

domingo, 20 de abril de 2008

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"If you kiss me where it's sore
If you kiss me where it's sore
I would feel better, better, better"
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missings
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Valeu por todos os momentos
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;-)
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sábado, 19 de abril de 2008

Selva de concreto




Viver sozinho é como fazer parte de um daqueles programas do Discovery Channel, em que tudo o que os insetos e animais devem fazer é sair à caça de sua presa e fugir do alvo dos predadores. Pode ser que haja uma presa, pode ser que não. Pode ser que haja um predador, pode ser que sim! Então é uma eterna e disputada busca, em que às vezes o estômago ronca, os pés doem e sono falha. Essa é a busca pela liberdade.
Nessa busca intorpecente encontrei leões e hienas, animas peçonhentos, selvas es
curas e belas paisagens. Me senti sozinho enquanto acompanhado e senti que nesta "batata quente", não existe pra quem jogar a bomba, e nem quem me ajudasse a lançá-la longe o bastante. No entanto, muitos estiveram ali sim; a espreita e prontos para ouvir um grito de socorro. Mas a gente é forte, ou se faz de forte, e mesmo no mais fundo abismo, o grito de socorro era sufocado pelo senso de responsabilidade. Me calei, por vezes, aos prantos.
A família pra mim sempre foi algo representativo aos redores deste redemoinho, como estátuas frias de alabastro (exceto minha mãe, a guerreira forte que sempre esteve presente), e eis que pela primeira vez em anos senti um calor que pensava não existir nos laços familiares, um calor de colo e cumplicidade, um calor de quem não espera os gritos de socorro pois te conhecem tão bem que sabem até mesmo a hora que você poderia gritar, e evitam. É o sangue, é como se a dor nas veias de um percorresse pelo outro.
Conheci novamente minha família, e me encantei! Desde os modos, os meios, os risos e a descontração, até o jeito de se preocupar e se mostrar solíscita. É como se depois de crescido reencontrasse seu berço intacto, e te esperando, ainda que você possa não caber mais.
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Amo a minha família, toda ela, com cada uma das controvérsias e desavenças. Amo a todos eles, e agradeço por terem enchido a minha alma novamente com aquele calor que tem cheiro de café da manhã e bolinhos de chuva.
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Obrigado por tudo!!! À minha mãe, família de Maringá e Curitiba.
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Claro que não devo deixar de lado a minha família paulista, esta que ainda que não ouça os gritos no mais profundo de mim, nunca deixaram de estar lá quando ouviram um. São eles:

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Alexandre Bojar
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Anaflor


André Batista


Daniela Pitteri


Diego Linhares


Laurinha
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Malu Paiva


Marcelo Bartz


Mayara Medeiros


Nêga Aparecida


Patrícia Galvão


Paula Ristori

Vera Santos
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Zeni dos Santos
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Mantenha unido
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"Eu tenho irmãos e 'uma grande família'
Que se intrometem dizendo o que eu devo fazer
Quero me mandar daqui, quero deixar esse lugar
Então quem sabe eu me esqueça dessas caras esfomeadas
Cansei de compartilhar de tudo pra ter atenção
Serei sempre o palhaço da história
Quero ser diferente
Viver sob minha responsabilidade
Mas 'mamãe' deixou claro
Que eu sempre teria um lugar pra voltar
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Me matei a maior parte do tempo
Mas a chateação fica lá
Todo mundo é estranho aqui
E a vida na cidade acaba te consumindo
Não faz idéia de como as pessoas podem ser frias
Nunca queira virar as costas
Só dão pra receber em troca
Ansiosas pra saber o quanto cobrar
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Mas quando eu fico sozinho
E preciso ser amado pelo que sou
E não pelo que querem que eu seja
Meus irmãos e 'família'
Sempre estiveram lá por mim
Temos uma conexão
Em casa é onde o coração deve estar!
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Quando eu olho pra trás, pra toda dificuldade
E toda chateação que eles me causaram
Ainda assim jamais trocaria se tivesse uma chance
Pois o sangue está acima de quaisquer outras circunstâncias
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Fique unido com sua família
Eles são a raíz de sua história
Irmãos e família, eles seguram a chave
Do seu coração e sua alma
Jamais se esqueça que sua família é como ouro!"






Música e vídeo: Keep It Together - Madonna

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Nas geadas de Curitiba!!!
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Foto em frente a cúpula do Jardim Botânico

Casquinha

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Andando em Cascavel com meu sobrinho de dois anos e meio no colo senti uma casquinha de machucado no joelhindo dele, perguntei:
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- Você se machucou?
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Ele com a boca (por dentro e fora) ocupada demais com um bis que virara um lamaçal, só acenou um não com a cabeça, insisti:
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- Mas tem um machucado aqui - e relei com a mão - como vc fez esse machucado?
- Eu fiz dodói!
- Ahhhhh tá vendo, e onde você fez esse dodói?
- Aqui - e me apontou o joelho cascudo.
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Amo meu sobrinho!!!
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quarta-feira, 26 de março de 2008

*** Primeira criação na mídia ***
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A saia que a ex-brother está usando é uma criação minha para a marca Vesúvio, enquanto era reestruturada pelo consultor de moda Maurício Lobo.

A reportagem está no site globo.com.

(a reportagem não fala da marca tá, mas eu tenho o catálogo pra provar - rsrsrs)

eis o link: http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL363843-9798,00-JAQUELINE+KHURY+E+RAFAEL+GALEGO+EM+CLIMA+DE+ROMANCE.html


terça-feira, 25 de março de 2008

Maringá - PR

Estou em Maringá.

E às vezes me falta ar

tal é a mágica,

tal é o peso

leve

do passado no presente.
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Os cheiros,
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recordações...
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(...)

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E perceber que aquilo que muda

machuca homicidamente, e o que fica

- ah o que fica -

Este afoga,

de

tanta

cor...
Maringá - cidade onde mora minha familia materna, morei aqui em 92.
na foto - a cidade coberta por névoa, e em destaque a Catedral de Maringá
em formato cônico

quinta-feira, 20 de março de 2008



"Põe um pouco de mel no teu sorriso,



como se morde a polpa de uma fruta.



Saia um dia caminhando pela estrada



como quem não quer chegar,
.



só caminhar.



Se encontrar um rio,



se joga dentro dele



como se o corpo fosse feito de água fresca.



E se a vida doer dentro de ti,



deixe que rebente"


Texto de Carlos Alberto Soffredini

segunda-feira, 17 de março de 2008

"Eu só acredito
Em vento que
Assanha cabeleira
Quebra portas e vidraças
E derruba prateleiras
Se fizer um assobio esquisito
Na descida da ladeira
.
.
.
.
Eu só acredito em chuva
Se molhar minha cadeira
De palhinha na varanda
Minha espreguiçadeira
Se fizer poça na rua
Acredito nessa chuva de peneira
.
Eu só acredito em lama
Se for escorregadeira
Como casca de banana tobogã
De fim de feira
.
'Hugo Henrique' já não acredita
Na força do vento
Que sopra e não uiva
Na água da chuva
Que cai e não molha
Já perdeu o medo de
Escorregar"
.
.
.
música Descida da Ladeira - Alceu Valença
foto do filme francês Marquise

sábado, 15 de março de 2008

Eis o primeiro rompimento, da primeira casca
.

As borboletas estão voando

A dança louca das borboletas

As borboletas estão girando

Estão virando sua cabeça

As borboletas estão invadindo

Os apartamentos, cinemas e bares

Esgotos e rios e lagos e mares

Em um rodopio de arrepiar

Derrubam janelas e portas de vidro

Escadas rolantes e das chaminés

Mergulham e giram num véu de fumaça

E é como um arco-íris no centro do céu

dança das borboletas - Alceu Valença/Zé Ramalho

segunda-feira, 10 de março de 2008

Desabafo
foi um abraço eterno
desses que duram segundos
e que te deixam sem fôlego
mas que te enchem de tanto fôlego
mais que todo o fôlego
que existe em todos os pulmões do mundo
e emudece
e faz o mundo parar
e girar mais rápido
.
e o cheiro
e a poesia
e a libido
.
e a sensação de algo tão familiar
de alguém que parece não ter sido seu
mas uma extensão de você mesmo
que se perdeu, e se achou
mas o "terror de te amar num sítio frágil como o mundo
mal de te amar neste lugar de imperfeição"
mas a dor de temer
aquilo que se teme quando dói...
mas...
mas...
mas...
citação entre aspas do poema Terror de te amar
escrito por Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 5 de março de 2008

"Certo ou errado
Quem não pula o muro
Não aprende a se arriscar
Não tá com nada
Certo ou errado
Quem não cai da escada
Não aprende a levantar
Não tá com nada
.
Você já sabe tudo
Princípio, meio e fim
E vive a me dizer
O que é bom ou mau pra mim
Mas o que serve pra você
Nem sempre vai me convencer
Eu tenho a vida inteira
E muito que aprender
E só eu é que escolho
A vida que eu vou viver
.
Certo ou errado
Quem não sai na chuva
Não aprende a se molhar
Não tá com nada
.
Eu sei que é prova de amor
Você não quer que eu
Jogue pra perder
Deixa a vida me ensinar
E eu vou provar
Pra saber escolher"
*
**
*
Bem, eu podia ter escrito uma crônica quilométrica a respeito dos milhares de conselhos tão acinzentados que tenho escutado, sobretudo daqueles que tomam sua vida como exemplo de sucesso para tentar me provar de como estive errado, o que faz com que cada vez mais eu descubra que nunca estive.
De resto, a música infantil explica tudo!

Música Certo ou Errado - Patricia Marx

terça-feira, 4 de março de 2008

OBSERVAÇÃO EXTRA

Neste exato momento o conto abaixo; Noites em Claro, acumulou em cada um de seus capítulos seis exatos comentários, o que no final compõe o número: 666

Será que o capeta gostou do conto?

rsrsrs

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

NOITES EM CLARO
- terceiro caítulo

Antes mesmo de conseguir dominar seus impulsos ela está ao lado do casal com a mira no rapaz. Com um tiro, estoura-lhe o tendão de Aquiles esquerdo, o joelho direito, o cóquis, um cotovelo e a boca do cadáver, o sangue empoçado espirra com o estouro. Ela o mantém vivo. Com a faca do bolo que está sobre a mesa, ela fatia os dois olhos da moça, rasga-lhe as bochechas até que o maxilar se escancare, fax um "X" em um dos seios, dividindo o mamilo em quatro e transforma o clitóris dela numa espécie de carne de encher lingüiça - ele assiste tudo, sem opção. Neste instante ela percebe que os olhos do rapaz estão se distanciando e o pavor de perdê-lo toma conta dos impulsos dela, se desespera, pede um balde d’água, não é atendida, então estapeia a cara do rapaz.

- Acorda, não morra, acorda!!! Pelo amor de Deus!

Ele recobra a consciência por segundos, exatamente o tempo que ela precisa para se despedir:

- Sua vida tiro eu! - ela diz e com o último tiro dado à queima roupa no coração o entrega ao infinito.

Vendo os dois pateticamente mortos ela respira aliviada, como nunca em dois anos. Pôde ainda perceber que as manchas de sangue acrescentaram uma linda tonalidade violeta, como um tye-dye à seda pura azul celeste da saia de seu vestido longo – tentarei cristalizá-las – pensou. E ao guardar o 38 (de verdade) na bolsa (cara) viu no fundo as chaves do carro e parou pra refletir um segundo em sua vida. Ela viera do nada! E conquistara toda a sua estrutura de vida, não fosse aquele maldito se fazendo de nuvem e tapando-lhe o sol, ela teria enxergado, antes, tudo o que ela era e tudo o que representava pra si mesma, tudo o que conquistara, amigos, estrutura, confiança, momentos maravilhosos que vivera.
E viverá!
Sua certeza era tanta de seu sucesso agora, que seu desejo se convertera nele estar vivo ainda, vivo para vê-la por cima, se diminuir e se arrepender num futuro muito próximo, pensando um pouco mais, ela percebeu que no fundo seu verdadeiro desejo era, na verdade, que ele estivesse vivo para ela provar pra si mesma, tal será seu sucesso, como não estará se importando nem um pouco com ele no futuro, ainda que ele se arrependesse ou não!
Neste momento, o polonês contornou com a mão gigante a fina cintura dela e soltou um suave:

- Vamos amor, temos uma longa vida de realizações pela frente!

Ela deu um passo em direção à saída, quando o telefone que estava em sua mão tocou e a trouxe de volta! Num surto, e ainda transpirando por conta do telefonema que fizera há segundos atrás, ela percebe-se realizada e satisfeita ao ver o quanto a sua imaginação fora longe (o telefone continua tocando), sente-se tranqüila agora, mas não pela sua consciência estar livre por não ter matado ninguém ou por não ter feito ninguém sofrer, mas sim por ela saber-se tão bem agora (o telefone continua) que terá tempo e segurança de sobra para transformar aquele inodoro e incolor numa mancha cinza do passado.
Ela atende ao telefone ainda em tempo e do outro lado escuta de um dos "doze" um sonhador bom dia, bom dia esse que ela retribui sem dúvidas com muito mais que um "obrigado, igualmente", enquanto pinta os lábios de vermelho.

FIM

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

NOITES EM CLARO
- segundo capítulo

Ela aponta para o ex e não se atreve a chamá-lo pelo nome. Ele vira, silêncio perpétuo.
- Ajoelhe-se e diga que me ama!!!

Ele assim o fez, com as mãos pra cima.
- Agora diga a ela que a ama!!! – referindo-se a atual.
Ele assim o fez.
- Agora ajoelhem-se de frente um pro outro e digam que se... (quase chora) amam!!!
O fizeram.
- Agora... (se cala, treme, enxuga as lágrimas sem borrar a maquiagem) agora amem-se!!!

Eles não compreenderam, assim como ninguém naquele salão. Um burburinho enche o recinto de um barulho irritante para quem está irritado. Um tiro no teto. Silêncio.

- Meu amor – ele diz ajoelhado e ainda assustado com o tiro – tente se acalmar, você bebeu um pouco demais, olhe as pessoas ao seu redor.

De fato, na festa predominavam senhoras e senhores de idade, crianças e casais felizes, todos com seus cargos sociais devidamente bem ocupad... de repente um tiro enfeita a mesa do bolo e a cara chorosa da aniversariante atrás da mesa com sangue e miolos, a “linda e como sempre insuportavelmente simpática” estava agora sem batimentos cardíacos e morta no chão ao lado dele. Ele, estático.

- Agora ame-a!!!

Ele num choro ensimesmado não responde, ou não ouve.

- A-ME-A!!! – ela engatilha a próxima bala em meio aos soluços e prossegue – E antes que me pergunte, nunca mais passarei uma noite sequer acordada imaginando o que fazem e como fazem, agora verei, e confesso que me parecerá bem nojento. Nunca mais sentirei frios na barriga por conta do infinito, desgraçado, maldito desejo que sentem um pelo outro.

Silêncio perpétuo ainda. Ele, aos prantos, começa a baixar suas calças e subir a saia do cadáver enquanto a coloca em “posição de parto”, deita sobre ela, mas mantém tronco afastado, como quem tenta se segurar longe do chão numa flexão - não tem coragem de olhá-la no rosto desmiolado e ensangüentado.
Vendo a cara dele de infinito nojo, ela quase pensa em baixar a arma, o espírito dela fora inundado por uma sensação que a quilômetros de distância lembraria a sombra do que se pode chamar de – talvez – piedade, vendo agora que ele não mais gosta dela como antes, que agora sente nojo. Era quase o bastante pra ela, e seus braços com a arma em punho, aos poucos cediam à força da gravidade, quando o corpo dele também cedeu, seus músculos estavam fartos de fingir foder aquele cadáver e deitou-se sobre o corpo. A gravidade para ela perde a força e lá está a mira no alvo novamente, quando num gesto de carinho jamais visto por ela, ele beija a boca ensangüentada do cadáver, e balbucia, ainda aos prantos:


- Te amo!

Antes mesmo de conseguir dominar seus impulsos ela está ao lado do casal com a mira no rapaz.


CONTINUA...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

NOITES EM CLARO
- primeiro capítulo

“Alô, só pra te desejar um bom dia”.
Esta frase era o que permeava na cabeça dela momentos antes de usar o celular, que naquele momento repousava em sua mão direita, a espera. A adrenalina que fazia seu sangue parecer lava a deixava trêmula e excitada, excitação que em questão de segundos tornara-se ódio, quando da resposta dele: “obrigado, igualmente” – cinza assim.
Imediatamente ela abre sua arma secreta, a mais poderosa, que infalivelmente entre todas aquelas folhas cheias de nomes, números e letras na seqüência do alfabeto, a fariam recordar de um bom recurso, afinal, nesses dois anos desde o divórcio, sua teia não dera trégua. E os troféus que ela atraíra são diversos, inúmeros. Dentre os quais:
- O executivo: o do Chrysler, de Bariloche, do Terraço Itália, dos vinhos italianos, dos diamantes – que mora infinitamente longe;
- O bicho-grilo: o das trilhas, do olho de safira, da lua, do banho nu na mata, do sexo selvagem, do esoterismo, das viagens surpresa – que transpira maconha;
- O treinador: o bombado, esculpido, queixo quadrado, educado, cheiroso, baladeiro, engraçado – broxa.
E assim a lista se estende a doze, doze que são melhores, excluindo o resto. E analisando bem, ela encontra o perfeito:
- O importado: o polonês, 1,98m, simpático, português com sotaque, faz projetos sociais no Brasil, lava, cozinha (e como cozinha), passa – cavalheiro demais.
É este!
E é com esta arma em punho que decide ir ao aniversário da afilhada, qual o padrinho é o ex e, portanto, estaria lá. Mas para a surpresa dela, ele, o ex, o do “obrigado, igualmente”, apareceu com ela, ainda, ainda juntos, ela linda e como sempre insuportavelmente simpática, e eles como sempre insuportavelmente felizes (ao que parecia).
Terminado os parabéns, momento auge de uma festa de crianças, ela cuidadosamente abre a bolsa (cara) e saca um 38 (de verdade), sabia que viria a calhar um dia.

- Ei!!!
Aponta para o ex e não se atreve a chamá-lo pelo nome. Ele vira, silêncio perpétuo.
- Ajoelhe-se e diga que me ama!!!
_
CONTINUA...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Coloque a música antes de ler o post!
_


Thelma e Louisse havia acabado há quinze minutos.
Eu estava sozinho no quarto prestando atenção em como a fumaça do meu cigarro dançava impecávelmente ao som de "Everybody's Gotta Learn Sometimes"*.
Era 3h33 da manhã.
Eu estava mudo.
No meu coração um mix de angústia, sonhos e espectativas me faziam perder o sono.
Tanto pra resolver.
Estou para a vida um bailarino, assim como a fumaça para a música. Mas no meu caso, diferente da fumaça, dói quando o passo perde o compasso, quando o ritmo perde o tino, como Chico dizia:

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

Essa vida cheia de nuances e equívocos me fortalecem bem! Mas é fato que não ter seu destino nas mãos dói, e dói.

Mas me pergunto que tipo de pessoa eu seria se tivesse vivido uma vida regrada e matemática até aqui? É certo que as partes mais legais de se lembrar e contar de uma viagem são seus equívocos e surpresas e eis minha vida, madrugada a madrugada...

Caso queiram saber a quantas anda a minha vida, basta que acendam um cigarro, deixem a fumaça dançar ao longo da madrugada ao som desta música, acompanhada pelo derradeiro gole de um merlot que pinta de vermelho o fundo de uma taça, gole esse que por sinal tomarei agora, antes de dormir - sem escovar os dentes.



*Everybody's Gotta Learn Sometimes:
música tema do filme O Brilho Eterno
de Uma Mente sem Lembrança

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


idealização: Murillo Marques
execução e direção de fotografia: Hugo Henrique
direção artística: Marcela Primo
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

"Não.
Não é possível
criar um poema
nesse escritório.
O grampeador é feio
a mesa é velha
os armários, cheios.
Na minha cabeça
há umas idéias
soltas e meu olhar
num esforço hercúleo
poderia até ver beleza
sob o encardido
das persianas.
Mas, por tédio
e cansaço e
falta de vontade
a tarde escoa
como papel A4
quando o fax dá pau:
até esgotar-se
e sem poesia."
-
(sei que somos mais)

autor desconhecido
-
enviado pra mim por Elton

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

DOA A QUEM DOER

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

*
*
*
*
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"Um lugar não definido, é o lugar de todas as sensações, onde não há nada a perder, é sair de dentro da caverna de platão!!!"
-
Murillo Marques
*
*
*
*
*

sábado, 2 de fevereiro de 2008

rosa, borboleta, noite, oceano

Esta rosa nunca mais foi regada - pensava - mas ainda cheira.
Já beirava as 5h da manhã, ele estava semi nu, a barba por fazer tocava a fronha que tocava o travesseiro que tocava o lençol que cobria a king-size que abrigava outras duas pessoas também semi nuas. O sono já havia carregado para longe uma delas, ele por sua vez, era acariciado infinitamente, incansávelmente e se perguntava de costas para as carícias de frente para a noite paulistana do outro lado da janela: "como pode não se cansar de movimentar-se desta forma?"
Uma estrela, somente, brilhava sob o céu de Perdizes ou Alto da Lapa ou Sumaré, que seja, acompanhada pelo pisca de uma torre solitária - "São Paulo, mágica São Paulo, mágica e perfumada noite paulistana". O cheiro de São Paulo à noite lembra a ele, sabe-se lá por que cargas d'água encontros, cigarros, gente nova e aquela respiração ofegante que se tem antes de transar pela primeira vez com alguém. Por isso andou trocando a noite pelo dia; paixão louca pela noite, pelas paixões da noite.

Ainda que aquela rosa cálida no criado cause incômodo ao cheirar tanto, ele não mais se atreverá a movimentá-la, pois sob três derradeiras pétalas secas, hoje bordôs portanto e não mais vermelhas como outrora, há um caule repleto de espinhos e espinhos e espinhos. "Não mais tocá-la", ordenou a si mesmo ao ferir-se pela última vez, "não mais tocá-la". E ainda que aquele odor incomode, ainda que remeta a passeios em casal com o cãozinho na beira da praia, resta-lhe aquele perfume, aquele perfume urbano e noturno que o faz pensar no mundo lá fora, que tem sido tão receptivo, nos vinhos e queijos e afins.
A fronha com insetos forçou-o a se lembrar da crisálida que vira no Trianon na mesma semana, "quando sairá, será?"
E o estado de hipnagogia que agora dominava sua mente, fez emergir das lembranças aquele oceano fresco, cheio de mistérios que pede um mergulho profundo, oceano esse que já o fez despir-se, "não mais mergulhar com armaduras" - prometeu, e quase mergulhar.
E lá estava ele acariciando seus desejos com detalhes do mergulho, quando aquelas implacáveis/incansáveis carícias dominaram seus sentidos, entregando-o aos braços do inconsciente enquanto as últimas pétalas da rosa, sem vida, sem mágica, em seu último suspiro, tocavam o frio e real chão de mármore acinzentado.

na foto:

vista panorâmica do banco Santander

(antigo Banespa) do Vale do Anhangabaú

sábado, 19 de janeiro de 2008

Alguém precisa de esclarecimentos quanto a imagem??



Caso sim, tenho 24 anos, um sonho e mais ou menos 24 rumos que se podem tomar pra chegar até ele tb! Me pergunte se algum é certeiro?


Mais alguma pergunta?

Também prefiro que se cale, afinal não terei respostas o bastante!!!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Foto digna de um belo texto!!!

Quem diria que a sensibilidade estaria lá? Ardente como areia de praia e asfalto de cidade. Quem diria que entre tantas dúvidas haveria um olhar tão sincero.
É tudo sempre tão sincero.
Quem diria que haveria ali tanta mágica e cores tão reais?
Que pecado tão pouco tempo pra tanto.
É injustiça, não acha?
Não acham?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008


água manta


a água vem que vem lavando

lava lava bem calada

cada mágoa

água santa

santa manta molhada

da terra

da mata

não mata

nem erra

essa água vem lavando minha serra


cada erro

cada pranto

cada maltrato

todo susto; agora passado

lavou tudo

essa água

e no entanto entrou muda

e saiu calada



hugo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

E este é pra vc...
...criar vergonha e comprar a placa de som - rs!!!

True colors - Cyndi Lauper


Marcela este é pra vc!
Da década de setenta - rsrsrs:

Vogue - Madonna

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Komm, meine Armen sind geöffnet und mein Hertz wartet.

Tradução:
Diego Linhares
Pout-Pourri
sobre meu ano novo

Quando a lua apareceu ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde, mas a noite é uma criança... distraída
(...)
É o fim da picada, depois da estrada começa uma grande avenida
No fim da avenida, existe uma chance, uma sorte, uma nova saída
São coisas da vida
E a gente se olha
E não sabe se vai ou se fica
Qual é a moral?
Qual vai ser o final dessa história?
Eu não tenho nada prá dizer, por isso digo
Que eu não tenho muito o que perder, por isso jogo
Eu não tenho hora prá morrer, por isso sonho



Baby Baby



Não adianta chamar



Quando alguém está perdido



Procurando se encontrar



Baby Baby



Não vale a pena esperar



Oh! Não!



Tire isso da cabeça



Ponha o resto no lugar


Os ventos do norte

Não movem moinhos

E o que me resta

É só um gemido...

Minha vida, meus mortos

Meus caminhos tortos

Meu Sangue Latino

Minh'alma cativa...

Rompi tratados

Traí os ritos

Quebrei a lança

Lancei no espaço

Um grito, um desabafo...

E o que me importa

É não estar vencido



Eu hoje represento a pergunta
Na barriga da mamãe
E quem morre hoje, nasce um dia
Pra viver amanhã
E sempre!
Eu hoje represento a cigarra
Que ainda vai cantar
Nesse formigueiro quem tem ouvidos
Vai poder escutar...
meu grito!

Coisas da Vida
Rita Lee
-
Ovelha negra
Rita Lee
-
Sangue Latino
Secos & Molhados
-
Luz Del Fuego
Rita Lee

Coisas da Vida (Rita Lee) - Acústico Mtv


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

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"And I miss you
like the deserts miss the rain"
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Everything But The Girl
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Clica aí pra ver o convite! Bjus
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

"De onde estava, não conseguiria ver os olhos da moça. De onde estava, a moça não conseguiria ver os olhos dele. Mas as memórias de cada um eram tantas que ela imediatamente entendeu e aceitou, desaparecendo da janela no exato instante em que ele atravessou a avenida sem olhar pra trás."

Caio Fernando Abreu
(denovo sim, e daí?)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

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"Sempre posso parar, olhar além da janela. Mas do interior do trem, nunca é fixa a paisagem."
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Eu, Tu, Ele - Caio Fernando Abreu
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sábado, 10 de novembro de 2007

Delicada Relação

Assisti denovo Delicada Relação depois de uns longos anos, e confesso que parecia a primeira vez, ou talvez um tanto mais emocionante.
É um filme israelense de história verídica que fala sobre dois soldados e de sua (como o nome já diz) 'delicada relação'.

O que é a trilha do filme?!!! Essa porra não sai da mente, é muito boa mesmo!

Eis o clip! Quero muito que assistam, e embaixo segue a letra.



Obs.: A letra original na legenda do filme é melhor, mas achei no google a letra em inglês, se acharem a tradução da israelense, vendo minha alma pra ti! rs

Sua alma

Quando o vento sopra todos os medos pra longe
O amor faz com que as flores cresçam
Vermelhas e verdes e douradas como raios de sol
Dê-me sua alma
Não a deixarei partir

Mande as nuvens embora
E deixe que o céu fique limpo
Fiquemos à luz
Sombras são carregadas de medo

Não pode se esconder eternamente
Pois irá se machucar
Não é esperto assim
Tente ao menos uma vez
Liberar seus sentimentos

Apenas você e eu
É tudo o que devemos ser
Não fuja
Com seu mais profundo segredo
Juntos eu e vc
Nos amando tão diferente

Quando o vento sopra todos os medos pra longe
O amor faz com que as flores cresçam
Vermelhas e verdes e douradas como raios de sol
Dê-me sua alma
Não a deixarei partir
E você sabe que eu não irei

Então venha e divida comigo
Todos os seus profundos segredos
Juntos eu e vc
Nos amando tão diferente

Bo - Rita

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Nesta semana, hoje e pela última vez, o ar me falta!

Este oceano que hora me abriga hora me sufoca está agora a roubar-me quase o último suspiro, o último sorriso! Está quase a desencadear a primeira gota de lágrima que puxará a outra, e a outra, e a outra, até que o oceano ao meu redor se torne mais salgado, mais profundo, mais desconhecido e voráz!

Eis que é aqui, que assim como dizia o oráculo, eu veria minha morte! Estou frente a frente, lábio a lábio com ela, e ela me amedronta. É fria! É sagaz!
E eis que chegou!

Na minha queda estou a alguns pés de sentir o chão se unir com a gravidade e transformar minhas vétebras em suco e nada mais! Estou vendo, vendo tudo isso! Mas vejo de fora também!

E do lado de fora fui advertido, assim seria, já o dissera! Veria a morte! Mas eu não devia duvidar, e a morte assim como a queda, me serviriam de passado, e eis-me aqui duvidando, duvidando piamente!

Dêem graças os que lerem estas palavras, foram as primeiras de pessimismo em muito tempo, e serão as últimas também!

De nada me servirão estas venenosas palavras, assim que meus pés tocarem delicadamente, e para sempre, o chão novamente!!!

Que assim seja e assim se faça!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

... "I love 'her', I love 'her', I love 'her', I love 'her', I"...


Pois é!

Eis-me aqui em frente ao computador teclando um desabafo com
os olhos ressecados, de lágrimas que molharam e se foram! Parece fútil e confesso! Parece fútil, sim! Mas chorei ao ouvir Unravel, ela tocou Unravel! Ela podia ter tocado qualquer que fosse a música mas logo essa que eu amo! Então me machucou! Me machucou o fato de eu ter seis vezes o valor da entrada (inteira) do show na conta e não poder usar por dívidas passadas, por resolver problemas que são em partes meus mas que eu tenho que arcar com os de todas as partes! Enfim... assim cresço! Assim amadureço!
Mas dói!
Dói querer fazer algo em anos e não poder, dói porque lá seus amigos estiveram, e eles não têm as mentes repletas de represas, eles não têm o coração mais aflito que tranqüilo, eles estão livres, e eu estou preso, ainda!

Crisálida que não se vai!

Eis o vídeo:



sexta-feira, 19 de outubro de 2007


Assisto com muita tristeza

a pena da aspereza

dilacerando a beleza

de uma linda sinfonia.

A aguarrás de juízes,

ciumentos, inflexíveis,

descolorindo as matizes

de uma linda pintura

só porque não gostam

da assinatura.

.

Mas vai como uma bailarina,

com a inocência de menina,

dançando em volta do sol,

a grande Mãe Terra.

Enquanto muitas nações,

governos, religiões

ensaiam a dança da guerra.

.

Na verdade a bola azul,

quase nunca foi amada,

é sempre penalizada.

Tem um trabalho enorme,

dedicação e talento

pra preparar a mistura

juntar os seus elementos

para dar forma as criaturas,

e elas depois de paridas,

desconhecem a matriarca

e dizem mal agradecidas

que a carne é fraca.

E quando o planeta gera um Avatar,

um iluminado assim como o Nazareno,

tem logo quem se apresenta

com conhecimento profundo

e diz:

“Não é desse mundo, só pode ser extraterreno.”

.

É difícil entender

porque é que o homem

até hoje

cospe no prato que come.

Alguma religiões

não sei por qual motivo

dizem que a terra é um território

com vocação pra purgatório

não passa de sanatório,

e que nós só seremos felizes longe dela

bem distante

lá onde os delirantes

chamam de paraíso.

.

Altay Veloso